Segunda edição do Cast traz Rodrigo Ferreira, fundador do CanalEnergia

Jornalista resgata momentos de sua trajetória profissional e deixa dicas para quem começa a se aventurar pelo mundo do empreendedorismo no setor elétrico.
Rodrigo Ferreira, CanalEnergia

No dia 10 de junho, o Energy Future Hub promoveu a segunda edição do Cast, uma série de encontros, ao vivo, com empreendedores que fazem a diferença no setor elétrico brasileiro. O convidado da vez foi Rodrigo Ferreira, jornalista e criador do CanalEnergia, que participou de um bate-papo comandado por Apolo Lira, head do Energy Future.

No início do ano 2000, enquanto trabalhava na cobertura do mercado de internet, Rodrigo enxergou no setor elétrico uma oportunidade que o levou a fundar o CanalEnergia. “Criamos a empresa e lançamos o portal com o objetivo de oferecer jornalismo especializado, voltado a negócios, política e economia, no mercado da energia elétrica. Era um momento em que o velho setor elétrico ganhava uma nova configuração, e a abertura desse mercado demandaria informação qualificada”, destacou. Empresas privadas se integravam ao setor e executivos precisavam consumir informações para tomadas de decisões mais assertivas.

“O espírito de inovação sempre fez parte do CanalEnergia. Hoje parece trivial lançar um produto de internet, mas no ano 2000 não era. Muitas empresas, nem site tinham. Era um desafio grande: criar jornalismo diário especializado sobre o mercado de energia elétrica, complexo para a cobertura jornalística”, avaliou Rodrigo, relatando que, de lá para cá, houve uma revolução nos setores elétrico e de comunicações.

O jornalista observou que, em 2021, vivemos em um ambiente de inovações traduzidas no setor elétrico em possibilidades como geração distribuída, energia solar, empoderamento do consumidor, entre outras novidades. “Hoje tenho tecnologia para gerar energia com sol, abastecer meu veículo com a energia solar, enviar ou vender meu excedente de energia para outra casa, e ainda controlar isso tudo por um aplicativo. Há 20 anos, eu não poderia cogitar nada disso; hoje eu tenho essa possibilidade, mesmo que não me seja permitido, ainda, fazer isso tudo”, explicou.

Rodrigo contou que nunca pensou em atuar em outro mercado. A vida profissional voltada à energia elétrica é inclusive uma herança, segundo ele, que integra uma família presente há 60 anos no setor. “Gostamos desse mercado, para nós ele é uma missão. Mas foi difícil, imagine vender publicidade online na época em que o portal começou”, pontuou. 

“Eu tinha 25 anos, a dúvida não era sobre o portal ser algo relevante, mas se eu conseguiria desenvolver isso, e se o faria de forma qualificada. Desistir, nunca. Se o empreendedor não acreditar no que faz, aí sim melhor desistir logo e encontrar algo em que tenha mais convicção”, analisou Ferreira.

Se o empreendedor não acreditar no que faz, aí sim melhor desistir logo e encontrar algo em que tenha mais convicção”

Rodrigo Ferreira, fundador do CanalEnergia.

Como começar?

Rodrigo acredita que o próprio mercado é capaz de oferecer ideias para o início de uma jornada no empreendedorismo. Por exemplo: alguém reparou que seria mais fácil pedir comida, ou transporte, por meio de um aplicativo. Nesses casos, não foi criado um produto novo, apenas se modificou a relação com serviços já existentes. “Oportunidade a pessoa cria porque enxergou algo que ninguém viu, ou então o mercado mostrou uma necessidade. O negócio é ficar atento e olhar para o mundo, pois não há fronteiras para inovação e tecnologia”, observou.

Quando o assunto é busca por investimentos, Rodrigo destacou a importância da capacidade de convencimento. Apontou a necessidade de um bom projeto, com potencial de mercado e condições de barreira para a concorrência. Ele acredita que conhecimento e preparação são ingredientes fundamentais. Aliados a isso estão uma ótima apresentação e domínio dos números. Uma dica é treinar com um bom entrevistador, que traga perguntas difíceis. “É preciso comprovar que você tem reais condições de estruturar o projeto, dos pontos de vista mercadológico, comercial e financeiro”, avaliou. 

Outro conselho relevante que o jornalista deixa para empreendedores é que estejam em dia com a informação, pois vivemos tempos em que as mudanças ocorrem com muita rapidez, e se informar sobre o mercado em que se está inserido é essencial. “Se você não está atualizado sob os diversos pontos de vista, regulatório por exemplo, você está dez passos atrás da grande maioria. Informação não é mais diferencial, é fundamental”, enfatizou. Ele considera o mercado de energia renovável bastante promissor para quem quer empreender.

Posicionamento na comunicação e inspirações

Questionado por Apolo sobre o posicionamento do CanalEnergia enquanto veículo de comunicação, no que diz respeito ao setor elétrico, Rodrigo destacou que o portal é a favor de um mercado livre e com a maior participação possível de energia renovável. “Significa basear o nosso parque em geração renovável, mantendo a confiabilidade e a segurança. Isenção, pluralismo e independência, essa  sempre foi a nossa bandeira, mas não necessariamente é a de todos os veículos”, apontou. 

Rodrigo citou o exemplo dos Estados Unidos, onde é comum que os veículos deixem claro seus posicionamentos, inclusive no âmbito político. “No Brasil, a maior parte dos veículos não deixa muito transparente. E a falta de transparência é ruim. Quando não está claro o posicionamento, mas você vê que algo é defendido nas entrelinhas, isso particularmente me incomoda”, analisou. 

“No Brasil, a maior parte dos veículos não deixa muito transparente. E a falta de transparência é ruim. Quando não está claro o posicionamento, mas você vê que algo é defendido nas entrelinhas.”

Rodrigo Ferreira, fundador do CanalEnergia.

De acordo com Rodrigo, o CanalEnergia procura dar espaço a todos os lados das questões que aborda, levando diferentes pontos de vista e opiniões para uma audiência qualificada, na qual 70% possui poder de decisão em empresas. “Não adianta querer dar viés a esse público, tem que dar as ferramentas e as diferentes visões”, avaliou.

“Me inspiro na independência de Jerson Kelman, na genialidade de Mario Veiga, na capacidade de comunicação e inteligência de Luiz Augusto Barroso, na capacidade de fazer as coisas acontecerem de Reginaldo Medeiros e na liderança de Mario Santos”, destacou o jornalista, dizendo que esses são exemplos de uma lista ainda maior.

“Estou tocando bateria, estudando o mercado financeiro, lendo revistas e muita coisa na internet”, contou Rodrigo, que citou como boas fontes de informação os portais Megawatt, CanalEnergia, os boletins da PSR e o Energy Future. Ele considera fundamental buscar o domínio da mente sempre. “Quando a energia estiver baixa, vale pensar que dias melhores virão. E você tem que construir isso, se preparar para amanhã estar melhor”, concluiu.

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