Aurelien Maudonnet fala sobre geração distribuída

CEO da Helexia no Brasil, empresa integrada à Voltalia, aborda perspectivas do mercado brasileiro.
CEO da Helexia no Brasil

Na última terça-feira, 11 de maio, o Energy Future Hub realizou mais uma edição do EF Talks. Desta vez, em parceria com a Voltalia, trazendo como convidado Aurelien Maudonnet, CEO da Helexia no Brasil. A Voltalia está presente em mais de 20 países e disponibiliza ao mercado um diversificado portfólio de energia renovável e de soluções sustentáveis, e a Helexia é uma startup criada dentro da companhia, com foco em geração distribuída (GD) e transição energética. O executivo falou sobre o tema em uma conversa com Apolo Lira, head do Energy Future.

“A Voltalia começou as atividades no Brasil como uma startup, há 15 anos, e hoje é uma empresa consolidada com foco em geração centralizada. Queríamos oferecer uma gama maior de serviços para o cliente e por isso fundamos a Helexia”, contou Aurelien, que está na Voltalia desde 2016. A marca Helexia vem se estabelecendo no Brasil e teve seu primeiro contrato comercial assinado em dezembro de 2020 com a companhia Vivo, contemplando a produção de 16 centrais solares fotovoltaicas para uma capacidade de 60 megawatts.

O executivo ressaltou o impacto positivo da GD no setor elétrico brasileiro. “Traz economia de custo para o cliente porque se produz mais perto das instalações. Com a produção de energia mais próxima, há também economia de investimento em linhas de transmissão e distribuição. É um ganho para o setor e para o meio ambiente, pois a fonte de energia renovável, no caso a solar, ajuda a reduzir a pegada energética das empresas”, explicou Aurelien, que ainda destacou o impacto social da GD por meio da geração de empregos.

Confira o bate-papo com Aurelien Maudonnet, da Helexia, sobre Geração Distribuída e as perspectivas no mercado brasileiro.

Perspectivas para o Brasil

Maudonnet destacou o potencial de crescimento do uso de energias renováveis no Brasil por diversos motivos, entre eles a dimensão territorial do país. “Aqui a fonte solar representa apenas 1,8% da matriz total, contra 10% da fonte eólica. As energias renováveis são mais baratas, em particular a solar, que é a mais competitiva e seu custo vem decrescendo. Hoje, nos leilões, já custa menos da metade da térmica, por exemplo. Assim, essa fonte vai continuar em expansão em todas as suas modalidades, atualmente na GD, mas em outras no futuro também”, analisou.

Questionado por Apolo sobre apostas para o mercado brasileiro, o executivo apontou que a Helexia acredita que chegar diretamente ao consumidor final é um caminho. “Essa é uma nova vertente, nós vamos ao microempreendedor, às lojas, aos varejistas. A ideia é chegar na fábrica do cliente e ajudá-lo a reduzir o custo de energia e a realizar a transição energética”, relatou. Ele explicou que a GD é apenas um primeiro passo, pois uma vez que o modelo de negócio do cliente é analisado, é possível propor serviços voltados à eficiência energética e a um consumo mais eficiente como um todo.

Aurelien falou sobre o desejo da Helexia de atuar em mobilidade elétrica no Brasil, como já vem fazendo na Europa. “Acreditamos nisso como forma de reduzir a pegada carbônica das empresas, que utilizam cada vez mais energia 100% limpa, o que traz benefícios não apenas para o cliente final, mas para todo o nosso ecossistema. Sem dúvidas, isso vai acontecer no Brasil também, que tem tudo para ter veículos elétricos”, avaliou.

Outro mercado que a Voltalia começa a investir é no de baterias para armazenamento de energia renovável. “Acreditamos que é um tema essencial, que resolve o caráter intermitente das energias renováveis”, destacou o CEO. Segundo ele, o Brasil já tem uma matriz de energia limpa, sendo mais de 60% proveniente da fonte hidrelétrica. “Se tivermos vontade e impulsionamento político, não é um sonho ter uma matriz 100% elétrica e limpa, é só colocar para funcionar”, concluiu Aurelien Maudonnet.

“Se tivermos vontade e impulsionamento político, não é um sonho ter uma matriz 100% elétrica e limpa, é só colocar para funcionar”

Subsídios para GD no país

Sobre a discussão acerca de mudanças na legislação regulatória da GD, que ocorre atualmente no país, o executivo propõe uma visão mais objetiva, ampla e de longo prazo. “A diretriz da GD é pautada em segurança jurídica regulatória, transparência e previsibilidade. Não pedimos nada além das regras que fundaram a GD no Brasil. Entendemos que a inclusão progressiva do fio B é uma forma de tornar a GD mais sustentável, mas é muito importante respeitar a manutenção das regras para os projetos que já foram contratados. Ninguém vai investir no setor  elétrico sem segurança regulatória e isso não vale apenas para GD. Concordamos com a mudança, mas de forma transitória, sem de um dia para o outro mudar as regras do jogo”, declarou.

Maudonnet levantou pontos relevantes acerca dos subsídios atrelados à GD. “Costumam dizer que o setor de GD se beneficia de muitos subsídios, mas quem é o vilão da história? É normal que, quando o consumidor final paga sua energia, 40% do preço seja composto por encargos e taxas? Não vamos falar da reforma tributária também, para além dos subsídios?”, questionou. Ele acredita que é preciso vislumbrar o contexto por completo, pois há um mercado livre e aberto para todas as fontes. 

“O mercado livre também não paga impostos. Além disso, a GD só existe há alguns anos e o setor elétrico brasileiro é um pouco mais velho do que isso, então vamos olhar o todo. Fala-se em subsídios para GD, mas vamos falar de todos os subsídios que as outras fontes receberam no passado? As térmicas e as usinas nucleares, por exemplo. É justo agora apontar o dedo a uma energia limpa, que traz segurança energética ao sistema e ajuda o consumidor a pagar menos?”, ponderou. 

“É justo agora apontar o dedo a uma energia limpa, que traz segurança energética ao sistema e ajuda o consumidor a pagar menos?”

Ele acredita que o subsídio não é uma solução de longo prazo, mas sim para impulsionar a GD. Isso feito, o passo seguinte é olhar para a legislação no intuito de que as empresas se adequem a normas mais respeitosas com o meio ambiente, para reduzir a pegada de carbono. “É positivo para o negócio, e quando as companhias perceberem isso, nem serão mais necessários os subsídios”, avaliou. 

No cenário da pandemia, empreendimentos que olharam para GD e eficiência energética chegaram a uma queda significativa do gasto com energia. O executivo citou o exemplo de um cliente que reduziu o valor em 15%. “Para uma empresa isso representa milhões de reais”, destacou. Ele apontou as regiões norte e nordeste como as de maior potencial para crescimento da GD, uma vez que são as menos representativas com relação a essa modalidade atualmente. “Há uma sinergia muito forte disso com a Voltalia, que inclusive tem parques solares e eólicos localizados justamente no nordeste”, complementou.

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