Luiza Demôro fala sobre cenário mundial da transição energética

Executiva da BloombergNEF inaugura o Energy Future Talks, trazendo destaques importantes da caminhada rumo a uma economia de baixo carbono.
Luiza Dêmoro da BloomberNEF

Movimentando o ecossistema digital de inovação, o Energy Future Hub promoveu, no dia 13 de abril, um bate-papo sobre o cenário da transição energética mundial, com foco em tendências e investimentos. Essa foi a primeira edição do Energy Future Talks, uma série de encontros virtuais que acontecerão ao longo do ano, sempre trazendo assuntos relevantes do setor elétrico. O evento contou com a convidada Luiza Demôro, head of Country Transition Trends na BloombergNEF, numa conversa mediada por Apolo Lira, head do Energy Future.

Luiza lidera uma equipe global responsável por pesquisar e analisar informações sobre transição energética em 140 países ao redor do mundo. O time de Country Transition Trends também avalia o progresso dos países na construção de uma economia de baixo carbono e os compromissos nacionais de redução de emissões, além de identificar oportunidades para investimentos em tecnologias sustentáveis nos principais setores das economias.

Luiza Demôro destacou que, nos últimos anos, pensar na transição energética exigiu olhar para além do setor elétrico, sendo necessário acompanhar outras áreas e tecnologias: cultura da mobilidade (incluindo transporte elétrico por exemplo), agricultura, digitalização, commodities como um todo, entre outros segmentos que terão papel importante para a implementação de uma economia de baixo carbono.

“O relatório da Bloomberg publicado em 2021 apontou mais uma vez o crescimento do investimento global em transição energética, totalizando mais de 500 bilhões de dólares”, destacou Apolo Lira. Segundo Luiza, esse é um recorde verificado em 2020, ainda que o cenário tenha sido de pandemia, com muitos países atingidos por crises econômicas. Ela explicou que a Covid-19 trouxe como impacto significativo a mudança do foco dos investidores de países emergentes, que ficaram mais vulneráveis e instáveis, para locais em que o investimento foi visto como mais seguro. 

O investimento em transição energética em 2020 foi de meio trilhão de dólares, incluindo energia renovável, armazenamento de energia, transporte elétrico, hidrogênio, calor eletrificado e captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em Inglês). “O custo da tecnologia cai significativamente a cada ano, o que significa que estamos fazendo mais com menos dinheiro”, destacou a executiva.

Luiza trouxe outros dados importantes, como a evolução em “carbono neutro” (net-zero target, ou seja, a meta para que não se coloque mais carbono na atmosfera do que é retirado). Em janeiro de 2020 apenas 34% das emissões globais estavam cobertas por net-zero target. Em dezembro do mesmo ano esse número passou a mais de 50%. Demôro também destacou o recorde de contratos bilaterais de empresas para utilização de energia renovável.

Evento EF Talks, com a Dêmoro da BloombergNEF, inaugura programação ao vivo e digital do Energy Future Hub.

Principais desafios

Apolo apontou que o efeito pandêmico fez muitas empresas repensarem e acelerarem o processo de transição energética. De acordo com Luiza, os setores de eletricidade, aquecimento e transporte são responsáveis por quase metade das emissões globais e serão o foco inicial da transição, a partir da eletrificação. “Quando falamos em transição para transporte elétrico, um fator importante é a queda do preço de baterias”, afirmou a executiva. A queda foi de 89% em 10 anos e projeta-se que essa redução siga em curso na próxima década, viabilizando a transição. Estima-se baixa de 60% no valor até 2030.

O mapeamento da transição energética mundial resultou em um ranking no qual o Brasil está entre os cinco mercados mais atrativos e, historicamente, se manteve sempre entre os dez primeiros. “O Brasil foi o décimo país que mais atraiu investimento em transição energética no mundo”, comemorou Luiza.

O desafio no país agora é, diante do novo cenário, manter a percepção de baixo risco para os investidores, bem como inserir as novas tecnologias nos setores de alta emissão, como o de transporte. A estimativa é que a procura por eletricidade triplique até 2050. “O setor precisa estar preparado para esse crescimento e para um perfil de demanda diferente do que o país está acostumado a ver”, conclui Luiza Demôro.

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