Enel: “Tecnologias e parcerias inovadoras são essenciais para criarmos um mundo sem fronteiras.”

Diretor de Infraestrutura e Redes da Enel Distribuição São Paulo, Rosario Zaccaria, conta como a Enel Brasil, maior empresa privada do setor elétrico brasileiro, lidera iniciativas inovadoras e colaborativas.
Rosario Zaccaria Enel São Paulo

Presente em 32 países, o Grupo Enel assume o compromisso de liderar a transição energética no contexto global de transformações no setor de energia.  Com a inovação e a sustentabilidade no centro dos investimentos e das estratégias do negócio, o Grupo constrói uma rede de parcerias global para gerar valor sustentável aos stakeholders e à sociedade.

Como exemplo, a chamada pública global (ReShape) aberta para startups, pequenas e médias empresas, que tem como objetivo o desenvolvimento de novas soluções para o cenário global de energia e necessidades impostas pela Covid.

No Brasil, a Enel está à frente de projetos como o  Urban Futurability, que visa transformar o fornecimento de energia para o bairro da Vila Olímpia, na capital paulista. O projeto, financiado com recursos do programa de P&D da ANEEL, tem investimentos de R$ 125 milhões. A empresa também participou da primeira seleção setorial do Energy Future e se une ao hub digital de inovação.

Em entrevista ao nosso canal, o diretor de Infraestrutura e Redes da Enel Distribuição São Paulo, Rosario Zaccaria, conta como a empresa lidera iniciativas para fomento do ecossistema de inovação.

A Enel está presente em diversos países e hoje é a maior empresa privada do setor elétrico brasileiro. Como a Enel fomenta uma cultura de inovação e colaboração, em um ambiente tão diverso, amplo e distribuído?

Por ser uma empresa presente em mais de 30 países e com mais de 66 mil colaboradores, a Enel acredita no valor do trabalho colaborativo e na construção de relacionamentos duradouros com os seus diversos públicos de interesse. Praticamos esses princípios por meio do Open Power, filosofia que consolida os nossos valores e que permeia os nossos esforços para enfrentarmos alguns dos maiores desafios do mundo. Em todas as nossas iniciativas, buscamos construir parcerias que possam contribuir com o desenvolvimento sustentável.

Neste sentido, e tendo em vista o nosso compromisso com a sociedade, incentivamos e participamos de fóruns em que compartilhamos a nossa experiência e as nossas melhores práticas com outras organizações empresariais. Um importante exemplo é o projeto Stay Export, iniciativa organizada pelas Câmaras de Comércio Italianas para auxiliar pequenas e médias empresas italianas interessadas em operar no exterior. No Brasil, a Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio, Indústria e Agricultura (ITALCAM), vem apoiando empresas italianas no setor de energia, devido ao potencial do país somado às oportunidades existentes. Por ser a maior empresa privada do setor elétrico brasileiro, a Enel vem compartilhando a sua experiência sobre o setor de energia no Brasil, inclusive contribuindo de forma ativa no processo de mentoria de empresas interessadas em ingressar no mercado brasileiro.

Outro exemplo, de nossa atuação nesta linha, são nossos programas de inovação aberta, no qual investimos no desenvolvimento de negócios e na criação de um ecossistema de startups em diversos setores da economia. Além de buscarmos oportunidades de melhorar os nossos negócios, também disponibilizamos para as startups e scale-ups a nossa rede de contatos e o nosso acesso ao mercado para fomentar o crescimento de novas empresas, criando valor para a sociedade.

“Em todas as nossas iniciativas, buscamos construir parcerias que possam contribuir com o desenvolvimento sustentável.”

Estamos, atualmente, em todo o mundo com uma chamada pública global (ReShape) aberta para startups, pequenas e médias empresas para o desenvolvimento de novas soluções para o cenário global de energia e novas necessidades que o atual cenário da Covid impôs em todo o mundo.  Acreditamos que o mundo tem uma oportunidade sem precedentes de alavancar novas tecnologias para o combate à mudança climática e a Enel quer liderar esse processo. Tecnologias e parcerias inovadoras são essenciais para criarmos um mundo onde possamos estar juntos sem fronteiras e construirmos um futuro ainda mais sustentável para essa e para futuras gerações.

Para o público interno, a Enel desenvolve uma série de ações para promover a cultura da inovação. Uma das iniciativas é o programa de embaixadores da inovação, que capacita colaboradores de várias áreas da empresa para promoverem a cultura da inovação em suas atividades. Outra frente foi a criação do Agile Transformation Office, que tem como objetivo disseminar, por toda a organização, o conceito da metodologia ágil.

Como as iniciativas de inovação desenvolvidas pela Enel impactam as operações da companhia?

Globalmente, o Grupo Enel assumiu o compromisso de liderar a transição energética no mundo, gerando valor sustentável e de longo prazo para os seus stakeholders e impactando positivamente a vida das pessoas e dos nossos negócios. Ao investir na construção de uma infraestrutura digitalizada, criamos as bases necessárias para alavancarmos novos serviços aos nossos consumidores, em um conceito de plataforma. 

Por meio da nossa empresa de soluções avançadas em energia, a Enel X, oferecemos soluções inovadoras que colocam o cliente no centro da nossa estratégia, como a gestão inteligente do consumo de energia, a mobilidade elétrica e a geração distribuída, tecnologias denominadas hoje de Recursos Energéticos Distribuídos. Tudo isso suportado por um sistema elétrico digitalizado e inteligente.

Para que a transformação se torne realidade, toda a operação deve andar em conjunto. Desde nossa chegada em São Paulo, há dois anos, investimos R$2,4 bilhões na expansão, modernização, digitalização e manutenção da rede elétrica dos 24 municípios que fazem parte da nossa área de concessão, o que possibilitou significativa melhora nos indicadores de qualidade do serviço.

Além do reforço na capacidade da rede elétrica, investimos na expansão do parque de automação da rede elétrica, com um salto do número de dispositivos de 50,9% entre 2018 e 2020, passando de 14.738 para 22.244 equipamentos. Esses investimentos contribuíram para que a duração das interrupções (DEC) de energia caísse 40%, passando de 11,72 horas ao final de 2017 para 7,04 horas em setembro de 2020. Os investimentos também impactaram a frequência das interrupções (FEC), que tiveram o recuo de 41,2% no mesmo período de comparação, para 3,66 vezes.

“Desde nossa chegada em São Paulo, há dois anos, investimos R$ 2,4 bilhões na expansão, modernização, digitalização e manutenção da rede elétrica dos 24 municípios que fazem parte da nossa área de concessão.”

Nos últimos anos, o setor elétrico passa por transformações sem precedentes, com a inserção e o barateamento de tecnologias como: IoT, baterias, geração renovável e distribuída, dentre outras. Na sua visão, qual (is) tecnologia(s) poderá acelerar o desenvolvimento do sistema de distribuição de energia elétrica?

As tecnologias mencionadas na pergunta refletem a convergência de uma série de fatores e tendências que temos observado no contexto global: empoderamento do consumidor, digitalização e descarbonização. Há uma revolução silenciosa acontecendo e ela tem a ver com a eletrificação de todos os setores da sociedade. Nesse sentido, a transformação digital é o caminho para contribuir para o desenvolvimento de um sistema elétrico mais sustentável, limpo e de melhor qualidade para os consumidores e a sociedade em geral.

Fruto desta visão de nos relacionarmos com a sociedade, lançamos, em 2019, o Urban Futurability, o mais completo projeto de transformação digital liderado por uma empresa de energia elétrica na América do Sul, que transformará o fornecimento de energia para o bairro da Vila Olímpia, na Capital paulista. O projeto, financiado com recursos do programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), tem investimentos de R$ 125 milhões.

O Urban Futurability demonstra a liderança da Enel em um momento de grandes transformações do setor elétrico. Com este projeto, a Enel Distribuição São Paulo vai deixar a rede elétrica preparada para conectar os veículos elétricos e a geração solar distribuída, contribuindo com o crescimento sustentável da cidade de São Paulo.

“A transformação digital é o caminho para contribuir para o desenvolvimento de um sistema elétrico mais sustentável, limpo e de melhor qualidade.”

Você mencionou o projeto Urban Futurability, que se coloca como um marco para a inovação na distribuição de energia elétrica do país. Quais são as ambições do projeto e quais as oportunidades serão geradas a partir dessa iniciativa?

O Urban Futurability é um grande laboratório real da Enel Brasil para testar as tecnologias do futuro no segmento de distribuição de energia. Algumas delas, que já mostraram resultados, estão sendo expandidas para toda a área de concessão da empresa e poderão também ser replicadas em outras distribuidoras da Enel Brasil.

São mais de 40 iniciativas de digitalização e inteligência artificial, entre elas uma réplica tridimensional da rede elétrica da Vila Olímpia e a instalação de cerca de 5 mil sensores que coletam dados sobre as condições da rede. Dessa forma, a infraestrutura elétrica da Vila Olímpia se tornará uma plataforma digital, inteligente e sustentável, que possibilitará novas aplicações e o uso eficiente da energia. 

 O projeto viabiliza a construção de um ambiente urbano mais sustentável por meio de ações de eficiência energética, redução de CO2 e reaproveitamento de materiais. O projeto possibilitou também o enterramento da rede elétrica, seguida pela remoção de postes e o plantio de árvores.

A construção da réplica tridimensional da rede elétrica é a aplicação, em nível do setor elétrico, do conceito de digital twin, comumente associado à indústria 4.0. A Network Digital Twin torna a rede elétrica inteligente, possibilitando a coleta de dados em tempo real para otimizar a gestão do sistema elétrico e identificar de forma rápida e automática a necessidade de manutenção preventiva.

Adicionalmente, o Urban Futurability prevê o uso de outras tecnologias, como Data Lake (Modelo 3D da rede, IoT e dados dinâmicos), Inteligência Artificial (IA), Tecnologias de comunicação avançadas e direcionadas à IoT, Dispositivos de Rede Sustentáveis e Inteligentes e Sensores para IoT.

Essas iniciativas poderão ser implementadas em outros pontos da cidade e em outras operações do grupo no País, preparando nossas redes para as cidades do futuro. Numa segunda fase do projeto, pretendemos incorporar soluções de mobilidade elétrica, mobiliário urbano conectado e iluminação inteligente da Enel X.

O programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Enel possui projetos de grande relevância para o setor elétrico, com resultados significativos para o ecossistema de inovação. Além do Urban Futurability, quais projetos você acredita que trarão os maiores impactos para o desenvolvimento do setor e de que forma?

Hoje, a Enel é a maior operadora privada de distribuição de energia e foi pioneira na adoção de medidores inteligentes na Itália, único país atualmente no mundo a ter 100% de sua rede digitalizada. Temos avançado em todo o mundo na instalação de medidores inteligentes, que abrem um novo mundo de possibilidades para o cliente na gestão do seu consumo de energia.  Essa é uma tecnologia que o grupo considera bastante promissora, inclusive para as suas operações aqui no Brasil.

Os consumidores de energia elétrica têm se tornado cada vez mais exigentes e conectados, fazendo com que as distribuidoras invistam em soluções para melhorar a prestação dos serviços e satisfação dos clientes. Como a Enel lida com esse novo perfil e quais inovações vocês têm apostado para melhorar a experiência dos consumidores de energia?

A transformação digital das nossas operações é a resposta para lidar com as demandas deste novo consumidor mais informado e digitalizado. Essa nova abordagem abrange tanto a operação da rede elétrica quanto os canais de atendimento ao consumidor.

Na frente operacional, como mencionado, a Enel vem investindo na expansão do parque de automação de suas distribuidoras, com foco na melhoria da qualidade do serviço prestado aos consumidores. Na Enel Distribuição São Paulo, por exemplo, o parque automação foi ampliado em 50,9% entre 2018 e 2020, passando de 14.738 para 22.244 equipamentos.

Foram instalados novos religadores seccionalizadores, chaves de transferência automática, monitores base-fusível, entre outros. Além disso, a Enel Distribuição São Paulo ampliou em 19,1% o uso da tecnologia self-healing na rede elétrica, para 3,4 mil sistemas, possibilitando o restabelecimento automático do fornecimento de energia, por meio do rearranjo automático das configurações da rede.

A expansão dos investimentos em automação permite ao Centro de Operação (CO) da empresa isolar e corrigir os problemas na rede elétrica de forma remota e, na maioria das vezes, de forma automática, restringindo a falta de energia aos trechos em que a fiação foi danificada. Com isso, quando há uma ocorrência elétrica, provocada pela queda de uma árvore ou por uma colisão em um poste, por exemplo, as manobras remotas da rede, realizadas automaticamente ou pelos operadores do CO, reduzem a quantidade de consumidores sem energia, agilizando o atendimento aos consumidores.

Quanto aos  investimentos em digitalização, não foram direcionados apenas à automação da rede. De olho na melhoria da experiência dos seus clientes, a Enel também empregou esforços na transformação digital dos seus canais de atendimento. Exemplo disso foram os investimentos em novos canais, como o WhatsApp Elena, e em melhorias no aplicativo e na URA de atendimento.

Fruto deste trabalho, os canais digitais representam praticamente 90% dos atendimentos realizados pela Enel Distribuição São Paulo. Antes da aquisição, em 2017, esse percentual era de 75,81%. Destaque, neste período, para o forte crescimento do uso do aplicativo, que passou de 2,51% para 35,02% do volume total de solicitações registradas pelos consumidores.

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