Tarifa Branca acelera o uso de novas tecnologias no setor elétrico

Vigência da nova modalidade de consumo abre mais espaço para soluções de segurança e de medições inteligentes de energia.
Tarifa branca no setor elétrico

Desde o início do ano, consumidores de energia elétrica, no país, têm a oportunidade de economizar na conta de luz com a opção da Tarifa Branca. A nova modalidade de consumo possibilita o pagamento de valores diferentes, de acordo com o dia e o horário.

Embora com adoção ainda incipiente, a Tarifa Branca exige das distribuidoras a necessidade de tecnologias de segurança e otimização das medições, levando à substituição do modelo tradicional de leitura para um sistema inteligente e conectado.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até abril, cerca de 48 mil unidades consumidoras adotaram a nova tarifa, sendo metade no estado de São Paulo.

Na prática, a aplicação da Tarifa Branca impacta na gestão de dados do consumo das utilities de energia. Mais do que nunca, as empresas precisam analisar o enorme volume de dados, variados ao longo do dia, provenientes dos milhões de consumidores. E gerar informações, que traduzam em comportamentos e hábitos da demanda por energia elétrica.

Neste contexto, ganham espaço soluções para Big Data, com dispositivos IoT (Internet of Things), que informem em tempo real e online o consumo de domicílios e empresas, que, segundo a agência reguladora, a partir da adesão à nova modalidade de tarifa, pode refletir na redução de 20% no valor da conta.

Para garantir a economia no bolso, o cálculo deve ser feito de forma rápida, transparente e segura. O que leva as concessionárias a investirem em tecnologias smart grid, redes inteligentes, responsáveis por arquitetar a distribuição da energia elétrica por meio do fluxo integrado da energia e das informações.

Por sua vez, a smart grid faz o monitoramento remoto de medidores inteligentes de energia, smart meters, que substituem os medidores analógicos, possibilitando a análise online de dados coletados continuamente.

Os benefícios vão desde corte de custos, causados pela impossibilidade de medição em locais de difícil acesso ou por despesas operacionais com operadoras de telecomunicações para oferta de redes 3G e 4G, até o combate a fraudes, com levantamento e com comparativo do perfil do consumo.

Cybersecurity: desafio e oportunidade

Para além das soluções que agreguem de forma inteligente e otimizada dados e informações (IoT, smart grid and meters), a incorporação do setor elétrico à transformação digital impele investimentos em tecnologias de segurança, que mitiguem possíveis vulnerabilidades na infraestrutura.

Junto com expansão das redes de energia inteligentes no país, cresce também a preocupação das empresas com ataques cibernéticos. A digitalização do sistema elétrico, monitorado e operado à distância, abre brechas para invasões.

Dessa forma, empresas demandam propostas que garantam a integridade da informação coletada pelos sensores em campo. São requeridas soluções que ofereçam elevado padrão de segurança digital, como as tecnologias usadas em transações bancárias.

O contexto do coronavírus

Como um dos efeitos colaterais da pandemia de coronavírus está o aumento de ataques cibernéticos, a maioria mirando empresas do setor elétrico no Brasil e no exterior, informaram especialistas de segurança à Reuters.

Dada a relevância do setor elétrico para o funcionamento da sociedade contemporânea, com serviços essenciais, as elétricas acabam sendo alvo dos criminosos digitais, que veem chance de pagamentos de resgates, cobrados em criptomoedas.

Nos casos registrados de março até junho no Brasil, os hackers conseguiram acesso apenas a redes de tecnologia da informação (TI), e não às redes de automação (TA), relacionadas à gestão dos sistemas de eletricidade.

As invasões estão relacionadas à migração em larga escala das empresas para regimes de home office, que aumenta a vulnerabilidade das redes corporativas. Enel, Energisa, Light e EDP foram alvos dos crimes.

Assim, saem na frente os projetos que alinham diferentes tecnologias promissoras, considerando as especificidades do mercado de energia. A exemplo, a integração dos medidores de energia inteligentes, com sistemas de segurança eficazes e transparentes.

Entenda a Tarifa Branca

Desde janeiro, está em vigor a opção pela Tarifa Branca para todas unidades consumidoras conectadas em baixa tensão no país. A nova opção tarifária é direcionada às unidades consumidoras atendidas em baixa tensão (127, 220, 380 ou 440 Volts), o chamado grupo B.

Ela sinaliza aos consumidores a variação do valor da energia conforme o dia e o horário do consumo. Segundo a Aneel, a modalidade não se aplica a consumidores residenciais classificados como baixa renda, beneficiários de tarifas sociais.

Aprovada em 2016, a aplicação da tarifa acompanhou um cronograma de implementação, de acordo com diferentes perfis de consumidores:

  • Em 2018, passou a valer para novas ligações e para unidades consumidoras com média anual de consumo mensal superior a 500 KWh/mês.
  • Em 2019, para unidades consumidoras com média anual de consumo mensal superior a 250 KWh/mês.
  • Em 2020, para todas as unidades consumidoras.

Nos dias úteis, a Tarifa Branca tem três valores: ponta, intermediário e fora de ponta. Esses períodos são estabelecidos pela Aneel e são diferentes para cada distribuidora. Sábados, domingos e feriados contam com a tarifa fora de ponta nas 24 horas do dia.

Da mesma forma que é possível a adesão, caso o consumidor não veja vantagem, pode retornar à tarifa convencional. A distribuidora tem 30 dias para realizar o serviço. Participações reincidentes na modalidade tarifária branca terão período de carência de 180 dias.

Consumidores que não optam pela modalidade permanecem sendo faturados pelo sistema tradicional, de valores fixos.

Para mais informações, acesse a página da agência reguladora, ANEEL.

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