Mulheres ascendem na liderança de startups

Contornando os percalços, empreendedoras brasileiras conquistam espaço no cenário da inovação e da tecnologia.
empreendedoras brasileiras

O número de empreendedoras, no comando dos negócios escaláveis, vem aumentando. Driblando os desafios, elas representaram 15,7% dos 12 mil empreendimentos mapeados pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups) em 2019.

A busca por melhores salários e novas oportunidades levam as mulheres a criarem seus próprios negócios e soluções tecnológicas. E, pouco a pouco, elas mudam o cenário dominado pelo sexo masculino.

Um estudo realizado pela Boston Consulting Group (BCG) observou que as companhias fundadas ou cofundadas por mulheres criam mais receita em longo prazo, apesar do baixo investimento inicial.

Segundo o BCG, as startups lideradas por mulheres geraram 10% a mais em renda acumulada num período de cinco anos. Foram US$ 730 mil contra US$ 662 mil, no caso dos homens.

Em contrapartida, enquanto as companhias fundadas por homens receberam US$ 2,1 milhões, em média, em aportes de capital de risco, as fundadoras do sexo feminino receberam, em média, US$ 935 mil em investimentos, menos da metade do valor.

As empresas lideradas por mulheres geraram 10% a mais em renda acumulada num período de cinco anos. Foram US$ 730 mil contra US$ 662 mil, no caso dos homens.

BCG

Os valores mostram uma disparidade de investimentos por gêneros, que não é justificada pelo desempenho econômico. Mesmo com a cobertura da mídia e compromissos dos investidores em diversificar suas carteiras, muitos perdem ou ignoram oportunidades de investimos nas futuras startups lideradas por mulheres.

De acordo com a ABStartups, o setor com maior presença feminina é o de startups do setor jurídico (legaltechs), com 25% de mulheres sócias. O último é o de startups do setor financeiro (fintechs), com 11%.

E está justamente em uma fintech a única mulher fundadora entre os nove unicórnios brasileiros: Cristina Junqueira do Nubank. O estudo não apontou performance de startups no setor de energia.

Who run the world?

Em uma economia marcada pela automatização, habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática impulsionam a inovação. No entanto, são grandes os obstáculos à participação feminina nos setores de tecnologia, engenharia e programação.

Atualmente, as Nações Unidas estimam que menos de 30% dos pesquisadores em áreas científicas e tecnológicas sejam mulheres. Além disso, a força feminina de trabalho na indústria digital corresponde a apenas 25%, afirma relatório do ONU Mulheres.

“Infelizmente, há evidência de problemas correntes para as mulheres em profissões importantes como engenharia, com baixa retenção, progressão (de carreira) e reintegração após a licença-maternidade”, afirmaram as dirigentes da UNESCO, Audrey Azoulay, e ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

Muito longe do matriarcado: preconceitos minam aportes

Conquistar a confiança dos investidores é essencial para que as empreendedoras tenham mais oportunidades para ir adiante com as suas startups. Ainda de acordo com a pesquisa do Boston Consulting Group, as empreendedoras são mais questionadas que os homens sobre o conhecimento básico para liderar o negócio.

Investidores tenderiam a desvalorizar o conhecimento e experiência delas nas empresas. Além de não associarem a imagem das empreendedoras às posturas ousadas e arriscadas, vistas como necessárias em um mercado de crescimento rápido em curto prazo.

O peso das tarefas domésticas

A falta de incentivo financeiro, educacional e profissional continuam como impeditivos ao crescimento das mulheres no mercado. Mas também a elas está o jugo das obrigações da casa.

Pesquisa do IBGE, realizada no ano passado, apontou que, em relação aos homens, mulheres gastam o dobro de horas por semana em atividades como cozinhar e limpar. Uma divisão do trabalho doméstico que permanece praticamente a mesma há quase duas décadas.

Mulheres gastam o dobro de horas por semana em atividades como cozinhar e limpar.

IBGE

Em média, as mulheres gastaram 21,3 horas por semana em rotina doméstica. Já os homens dedicaram apenas 10,9 horas semanais aos afazeres domésticos.

Apesar do crescimento da participação masculina nos últimos três anos, as mulheres dedicam mais horas mesmo em situações ocupacionais idênticas a dos homens.

Os números refletem o longo caminho que as empreendedoras precisam percorrer. Mas, em uma economia tecnológica, o maior apoio às mentes criativas e inovadoras será crucial para o crescimento do ecossistema de inovação.

Total
0
Shares
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts