Como o coronavírus impacta o setor elétrico nacional

Com as medidas de isolamento social, redução da carga e mudança no perfil de consumo são alguns dos efeitos causados pela pandemia.
coronavirus no setor elétrico

A pandemia de coronavírus impacta o setor elétrico nacional, exigindo ações em curto prazo. Com a adoção de medidas de isolamento pelos estados, a redução na carga e a alteração no perfil do consumo levam a mudanças na operação, regulação e comercialização da energia elétrica no país.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), desde o início das ações de contenção à pandemia, a carga de energia (consumo somado às perdas) do Sistema Interligado Nacional (SIN) vem apresentando rápida redução, com grande tráfego do consumo da indústria e do comércio para as residências.

O ONS também avalia que o aumento do consumo residencial, em diminuição às demais classes, fez com que a demanda maior do sistema fosse descolada do período diurno para o noturno.

O Programa Mensal de Operação Energética (PMO), elaborado pelo operador nacional com a participação dos agentes do setor, mostra os efeitos de Covid-19 na projeção da carga de janeiro ao mês de maio.

Adoção de medidas frente às incertezas

Como resposta aos desafios impostos pela crise do coronavírus, o Ministério de Minas e Energia (MME) vem realizando reuniões com agentes setoriais para avaliar medidas que garantam o atendimento energético com o menor impacto financeiro.

Na reunião, realizada na última sexta-feira (04.04), o ministro Bento Albuquerque afirmou que “as soluções para a atual situação excepcional são urgentes, e que o papel mais importante do Ministério de Minas e Energia é o de preservar a saúde do Setor”, destacando que todos deverão contribuir no atual cenário.

Entre as medidas regulatórias para mitigar os impactos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou a publicação da Resolução Normativa n°878/2020, que proíbe temporariamente a suspensão do fornecimento por inadimplência de consumidores residenciais e de serviços essenciais.

Para o secretário de Energia Elétrica, Rodrigo Limp, as medidas da Aneel preservam o consumidor ao garantir o abastecimento de energia, com a suspensão de cortes por inadimplência no prazo de 90 dias.

Segundo o secretário, os impactos tarifários sobre os consumidores de baixa renda e os efeitos econômicos às empresas, com a queda de consumo, estão em análise do governo, que teria também como foco medidas para as distribuidoras de energia. “Não há bala de prata! Não temos uma solução única!”, afirma Limp.

Agentes do setor elétrico também destacam a necessidade de aprovação pelo Senado Federal da PL 3975/2019, que trata do risco hidrológico, que pode contribuir como uma ação de curto prazo, possibilitando o destrave de linhas de financiamento de boa parte das empresas.

Também ponto de consenso setorial está a ‘Modernização do Setor Elétrico’, que garantiria a prontidão do setor para a retomada da atividade econômica e a continuidade dos investimentos em eficiência energética.

Principais impactos da crise do coronavírus no setor elétrico

Queda da carga de energia: projeção da ONS afirma que o consumo de energia deve cair 0,9% em 2020. A carga que, inicialmente, estava prevista para 70.825 MW médios, agora está estimada em 67.249 MW médios. Na comparação com o consumo de 2019, que foi de 67.835 MW médios, estima-se um recuo de 586 MW médios (- 0,9%).

Redução nos preços de energia: a queda de carga, por sua vez, também impacta nos preços da energia para os próximos meses. Para reduzir eventuais perdas, as elétricas podem tentar vender os excedentes por meio de alguns mecanismos regulatórios ou liquidá-las no mercado spot de energia, pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Com a maior oferta de energia no mercado, o PLD deve ter valores mais baixos.

Adiamento de leilões: o Ministério de Minas e Energia adiou por tempo indeterminado a realização de leilões de geração e transmissão de energia elétrica em razão da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. O adiamento foi formalizado em portaria publicada no “Diário Oficial da União” no dia 30 de março. A portaria cita os leilões de energia existentes A-4 e A-5, o leilão de energia nova A-4 e A-6, os leilões de transmissão e os leilões para suprimento dos sistemas isolados.

Foco nas distribuidoras: o aumento da inadimplência e a redução do consumo de comércios e indústrias impactam diretamente as distribuidoras, que funcionam como um “caixa” do setor, arrecadando e repassando os recursos para os demais segmentos, inclusive impostos. Por isso, Ministério de Minas e Energia e Aneel devem focar ações neste setor.

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